Na suspeita de leishmaniose, o primeiro pedido é a sorologia quantitativa (ELISA e RIFI), junto com hemograma, bioquímica e urina com UPC. Título alto em cão com sinais compatíveis fecha o diagnóstico. Teste rápido positivo pede sorologia quantitativa, e título baixo pede confirmação por citologia ou PCR de linfonodo ou medula óssea.
Infecção não é doença
No Brasil, a leishmaniose visceral canina é causada pela Leishmania infantum (também chamada L. chagasi) e transmitida pelo mosquito-palha, um flebotomíneo. Também há transmissão comprovada por transfusão de sangue, da mãe para os filhotes e por via venérea.
Muitos cães infectados nunca adoecem. Por isso o exame precisa responder a duas perguntas diferentes: se o cão está infectado e se os sinais que ele tem são mesmo da leishmaniose.
Quando suspeitar
Os sinais mais comuns são linfonodos aumentados, emagrecimento, lesões de pele (descamação, úlceras, alopecia), onicogrifose, lesões oculares e sangramento nasal. Nos exames, chamam atenção globulinas altas com albumina baixa, anemia não regenerativa leve a moderada, plaquetas baixas e proteinúria.
O rim merece atenção desde o primeiro pedido. A doença renal pode ser o único sinal, e a doença renal crônica é a principal causa de morte na leishmaniose canina; creatinina e UPC também definem o estágio da doença e o prognóstico.
O que cada exame responde
Teste rápido (imunocromatografia): mostra anticorpos, só como positivo ou negativo. Serve para triagem, com resultado em 1 dia útil; pode dar falso negativo, e o positivo precisa de sorologia quantitativa.
Sorologia quantitativa (ELISA e RIFI): mostra o nível de anticorpos IgG. É o exame do cão com suspeita clínica, do estadiamento e do acompanhamento; título baixo não confirma doença, e pode haver reação cruzada com tripanossomas.
Exame direto e citologia: mostram amastigotas e o tipo de inflamação em linfonodo aumentado, nódulos e outras lesões acessíveis à punção. Ver o parasita confirma; não ver não exclui.
PCR: mostra DNA de Leishmania, ou seja, infecção. Serve para confirmar título baixo, investigar o cão com sinais e sorologia negativa e triar doador de sangue; positivo confirma infecção, não doença, e a PCR não deve ser usada sozinha para triar cão saudável.
PCR quantitativa: mostra a carga parasitária e complementa a sorologia no acompanhamento do tratamento. Na SPES LAB, é feita só em linfonodo ou medula óssea.
Hemograma, bioquímica, proteínas e frações e urina com UPC: mostram a gravidade, o rim e o estágio da doença, em toda suspeita e todo acompanhamento, mas não identificam o agente.
Nos inquéritos do serviço público, o Ministério da Saúde usa o teste rápido DPP na triagem e o ELISA na confirmação. Na clínica, esses resultados também precisam ser lidos junto com os sinais e os outros exames.
Qual exame pedir em cada situação
Cão com sinais compatíveis: peça sorologia quantitativa, hemograma, bioquímica com proteínas e frações, urinálise e UPC. Título alto com sinais fecha o diagnóstico, e rim e proteínas definem o estágio.
Título baixo, ou sorologia negativa com suspeita forte: peça citologia de linfonodo e PCR de linfonodo ou medula óssea, porque título baixo sozinho não confirma nem exclui a doença.
Teste rápido positivo: peça sorologia quantitativa, porque o teste rápido não dá nível de anticorpos e pode dar resultado falso.
Cão saudável em triagem (check-up anual, viagem): sorologia, ou sorologia e PCR juntas. A PCR sozinha mostra infecção em cães que podem nunca adoecer.
Cão saudável com sorologia positiva: repita a sorologia e acompanhe a cada 3 a 6 meses. Ele costuma ter título baixo, e o acompanhamento mostra se a infecção avança.
Cão doador de sangue: sorologia e PCR, porque a transfusão transmite a infecção.
Cão em tratamento: hemograma, bioquímica e urina com UPC após o 1º mês e a cada 3 a 4 meses no 1º ano, e sorologia a partir de 6 meses. Os anticorpos caem devagar, e uma subida importante entre duas sorologias sugere recaída.
Três cuidados na coleta
Para exame direto e citologia, puncione um linfonodo aumentado e envie as lâminas secas ao ar.
Para PCR, prefira punção de linfonodo ou de medula óssea com EDTA. A PCR quantitativa da SPES LAB só é feita nessas amostras.
Para acompanhar o tratamento, repita a sorologia no mesmo laboratório e pela mesma técnica, para comparar os títulos.
E nos gatos?
Em gatos, a infecção sem sinais é comum onde a doença circula entre cães, mas a doença clínica é rara. Ela costuma aparecer em gatos com imunidade baixa, como os positivos para FIV ou FeLV. Sorologia negativa ou baixa em gato com sinais compatíveis não descarta a leishmaniose: complete com citologia ou PCR.
Exames da SPES LAB para leishmaniose
A SPES LAB, laboratório veterinário em São José do Rio Preto, faz todos os exames abaixo.
Código · exame · amostra · prazo
504 · Exame direto para leishmaniose · Punção de linfonodo
501 · Citologia (1 local) · Aspirado citológico em lâmina
617 · Leishmaniose canina, teste rápido (imunocromatografia) · EDTA ou soro
616 · Leishmaniose canina (ELISA e RIFI) · Soro
618 · Leishmaniose canina com diluição total (ELISA e RIFI) · Soro
619 · Leishmaniose felina (ELISA) · Soro
620 · Leishmaniose felina com diluição total (ELISA e RIFI) · Soro
821 · PCR Leishmania spp. · EDTA, punção de linfonodo ou medula óssea com EDTA
822 · PCR Leishmania chagasi quantitativa · Punção de linfonodo ou medula óssea com EDTA
070 · Painel PCR hemoparasitas 4: Ehrlichia, Babesia, A. platys e Leishmania · EDTA
101 · Hemograma completo · EDTA
216 · Creatinina · EDTA, soro ou heparina
237 · Proteínas totais e frações · Soro
219 · Eletroforese de proteínas · Soro
061 · Urina 2: urinálise e UPC · Urina em frasco estéril
Os valores estão no portfólio de exames ou podem ser pedidos pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor exame para leishmaniose canina?
Nenhum exame resolve sozinho. Para o cão com sinais, a sorologia quantitativa é o ponto de partida; citologia e PCR confirmam quando o título é baixo ou a sorologia vem negativa com suspeita forte.
Teste rápido positivo é leishmaniose?
Não necessariamente. O teste rápido só mostra que há anticorpos, e o resultado precisa ser confirmado por sorologia quantitativa e lido junto com o exame clínico.
PCR positiva quer dizer que o cão está doente?
Quer dizer que ele está infectado. A doença é a infecção confirmada junto com sinais clínicos ou alterações de exame; o cão saudável com PCR positiva deve ser acompanhado.
Quanto tempo demora o resultado?
Na SPES LAB, teste rápido e exame direto saem em 1 dia útil e a citologia em 3. A PCR sai em 4 dias úteis (a quantitativa em 5), e a sorologia em 5 ou 6 dias úteis.
Fale com a SPES LAB
Tem dúvida sobre qual exame pedir para o seu paciente? Fale com a equipe pelo WhatsApp (17) 99639-2840. Se a sua clínica ainda não envia amostras para a SPES LAB, faça o cadastro.
Revisão técnica: M.V. Gustavo Tufaile Cassia, CRMV-SP 36.464.
Referências
Solano-Gallego L et al. LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis. Parasites & Vectors, 2011.
Paltrinieri S et al. Laboratory tests for diagnosing and monitoring canine leishmaniasis. Veterinary Clinical Pathology, 2016.
Pennisi MG et al. LeishVet update and recommendations on feline leishmaniosis. Parasites & Vectors, 2015.
Maia C et al. Leishmania exposure in dogs from two endemic countries from New and Old Worlds (Brazil and Portugal). Parasites & Vectors, 2022.
Kmetiuk LB et al. Serosurvey of anti-Leishmania antibodies in hunting dogs and hunters in Brazil. Veterinary World, 2021.
Santos-Doni TR et al. Canine visceral leishmaniasis and Rhipicephalus sanguineus: evaluation and comparison of classical techniques. Veterinary Research Communications, 2022.
