Leishmaniose canina: qual exame pedir e como interpretar

ELISA, RIFI, teste rápido, exame direto ou PCR: quando usar cada exame na leishmaniose canina, que amostra enviar e como ler o resultado.

M.V. Gustavo Tufaile Cassia

Microscópio em laboratório veterinário, usado na citologia e no exame direto
Microscópio em laboratório veterinário, usado na citologia e no exame direto

Na suspeita de leishmaniose, o primeiro pedido é a sorologia quantitativa (ELISA e RIFI), junto com hemograma, bioquímica e urina com UPC. Título alto em cão com sinais compatíveis fecha o diagnóstico. Teste rápido positivo pede sorologia quantitativa, e título baixo pede confirmação por citologia ou PCR de linfonodo ou medula óssea.

Infecção não é doença

No Brasil, a leishmaniose visceral canina é causada pela Leishmania infantum (também chamada L. chagasi) e transmitida pelo mosquito-palha, um flebotomíneo. Também há transmissão comprovada por transfusão de sangue, da mãe para os filhotes e por via venérea.

Muitos cães infectados nunca adoecem. Por isso o exame precisa responder a duas perguntas diferentes: se o cão está infectado e se os sinais que ele tem são mesmo da leishmaniose.

Quando suspeitar

Os sinais mais comuns são linfonodos aumentados, emagrecimento, lesões de pele (descamação, úlceras, alopecia), onicogrifose, lesões oculares e sangramento nasal. Nos exames, chamam atenção globulinas altas com albumina baixa, anemia não regenerativa leve a moderada, plaquetas baixas e proteinúria.

O rim merece atenção desde o primeiro pedido. A doença renal pode ser o único sinal, e a doença renal crônica é a principal causa de morte na leishmaniose canina; creatinina e UPC também definem o estágio da doença e o prognóstico.

O que cada exame responde

  • Teste rápido (imunocromatografia): mostra anticorpos, só como positivo ou negativo. Serve para triagem, com resultado em 1 dia útil; pode dar falso negativo, e o positivo precisa de sorologia quantitativa.

  • Sorologia quantitativa (ELISA e RIFI): mostra o nível de anticorpos IgG. É o exame do cão com suspeita clínica, do estadiamento e do acompanhamento; título baixo não confirma doença, e pode haver reação cruzada com tripanossomas.

  • Exame direto e citologia: mostram amastigotas e o tipo de inflamação em linfonodo aumentado, nódulos e outras lesões acessíveis à punção. Ver o parasita confirma; não ver não exclui.

  • PCR: mostra DNA de Leishmania, ou seja, infecção. Serve para confirmar título baixo, investigar o cão com sinais e sorologia negativa e triar doador de sangue; positivo confirma infecção, não doença, e a PCR não deve ser usada sozinha para triar cão saudável.

  • PCR quantitativa: mostra a carga parasitária e complementa a sorologia no acompanhamento do tratamento. Na SPES LAB, é feita só em linfonodo ou medula óssea.

  • Hemograma, bioquímica, proteínas e frações e urina com UPC: mostram a gravidade, o rim e o estágio da doença, em toda suspeita e todo acompanhamento, mas não identificam o agente.

Nos inquéritos do serviço público, o Ministério da Saúde usa o teste rápido DPP na triagem e o ELISA na confirmação. Na clínica, esses resultados também precisam ser lidos junto com os sinais e os outros exames.

Qual exame pedir em cada situação

  • Cão com sinais compatíveis: peça sorologia quantitativa, hemograma, bioquímica com proteínas e frações, urinálise e UPC. Título alto com sinais fecha o diagnóstico, e rim e proteínas definem o estágio.

  • Título baixo, ou sorologia negativa com suspeita forte: peça citologia de linfonodo e PCR de linfonodo ou medula óssea, porque título baixo sozinho não confirma nem exclui a doença.

  • Teste rápido positivo: peça sorologia quantitativa, porque o teste rápido não dá nível de anticorpos e pode dar resultado falso.

  • Cão saudável em triagem (check-up anual, viagem): sorologia, ou sorologia e PCR juntas. A PCR sozinha mostra infecção em cães que podem nunca adoecer.

  • Cão saudável com sorologia positiva: repita a sorologia e acompanhe a cada 3 a 6 meses. Ele costuma ter título baixo, e o acompanhamento mostra se a infecção avança.

  • Cão doador de sangue: sorologia e PCR, porque a transfusão transmite a infecção.

  • Cão em tratamento: hemograma, bioquímica e urina com UPC após o 1º mês e a cada 3 a 4 meses no 1º ano, e sorologia a partir de 6 meses. Os anticorpos caem devagar, e uma subida importante entre duas sorologias sugere recaída.

Três cuidados na coleta

  1. Para exame direto e citologia, puncione um linfonodo aumentado e envie as lâminas secas ao ar.

  2. Para PCR, prefira punção de linfonodo ou de medula óssea com EDTA. A PCR quantitativa da SPES LAB só é feita nessas amostras.

  3. Para acompanhar o tratamento, repita a sorologia no mesmo laboratório e pela mesma técnica, para comparar os títulos.

E nos gatos?

Em gatos, a infecção sem sinais é comum onde a doença circula entre cães, mas a doença clínica é rara. Ela costuma aparecer em gatos com imunidade baixa, como os positivos para FIV ou FeLV. Sorologia negativa ou baixa em gato com sinais compatíveis não descarta a leishmaniose: complete com citologia ou PCR.

Exames da SPES LAB para leishmaniose

A SPES LAB, laboratório veterinário em São José do Rio Preto, faz todos os exames abaixo.

Código · exame · amostra · prazo

  • 504 · Exame direto para leishmaniose · Punção de linfonodo

  • 501 · Citologia (1 local) · Aspirado citológico em lâmina

  • 617 · Leishmaniose canina, teste rápido (imunocromatografia) · EDTA ou soro

  • 616 · Leishmaniose canina (ELISA e RIFI) · Soro

  • 618 · Leishmaniose canina com diluição total (ELISA e RIFI) · Soro

  • 619 · Leishmaniose felina (ELISA) · Soro

  • 620 · Leishmaniose felina com diluição total (ELISA e RIFI) · Soro

  • 821 · PCR Leishmania spp. · EDTA, punção de linfonodo ou medula óssea com EDTA

  • 822 · PCR Leishmania chagasi quantitativa · Punção de linfonodo ou medula óssea com EDTA

  • 070 · Painel PCR hemoparasitas 4: Ehrlichia, Babesia, A. platys e Leishmania · EDTA

  • 101 · Hemograma completo · EDTA

  • 216 · Creatinina · EDTA, soro ou heparina

  • 237 · Proteínas totais e frações · Soro

  • 219 · Eletroforese de proteínas · Soro

  • 061 · Urina 2: urinálise e UPC · Urina em frasco estéril

Os valores estão no portfólio de exames ou podem ser pedidos pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

Qual é o melhor exame para leishmaniose canina?

Nenhum exame resolve sozinho. Para o cão com sinais, a sorologia quantitativa é o ponto de partida; citologia e PCR confirmam quando o título é baixo ou a sorologia vem negativa com suspeita forte.

Teste rápido positivo é leishmaniose?

Não necessariamente. O teste rápido só mostra que há anticorpos, e o resultado precisa ser confirmado por sorologia quantitativa e lido junto com o exame clínico.

PCR positiva quer dizer que o cão está doente?

Quer dizer que ele está infectado. A doença é a infecção confirmada junto com sinais clínicos ou alterações de exame; o cão saudável com PCR positiva deve ser acompanhado.

Quanto tempo demora o resultado?

Na SPES LAB, teste rápido e exame direto saem em 1 dia útil e a citologia em 3. A PCR sai em 4 dias úteis (a quantitativa em 5), e a sorologia em 5 ou 6 dias úteis.

Fale com a SPES LAB

Tem dúvida sobre qual exame pedir para o seu paciente? Fale com a equipe pelo WhatsApp (17) 99639-2840. Se a sua clínica ainda não envia amostras para a SPES LAB, faça o cadastro.

Revisão técnica: M.V. Gustavo Tufaile Cassia, CRMV-SP 36.464.

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