FIV, FeLV e PIF em gatos: qual exame pedir?

Teste rápido, PCR de RNA e de DNA pró-viral para FIV e FeLV, e o que cada exame mostra na PIF: quando pedir, que amostra enviar e como ler.

M.V. Gustavo Tufaile Cassia

Gatinho branco sendo examinado por um veterinário com estetoscópio
Gatinho branco sendo examinado por um veterinário com estetoscópio

Em gatos, comece a investigação de FIV e FeLV pelo teste rápido e confirme todo positivo com outro teste ou com PCR, principalmente no gato saudável ou de baixo risco. A PIF é diferente: nenhum exame a confirma sozinho, e o diagnóstico junta sinais clínicos, hemograma, proteínas com relação albumina/globulina, análise da efusão e PCR.

Quando testar FIV e FeLV

Os guias da AAFP e do ABCD recomendam testar o gato logo depois de adquirido, depois de contato com um gato infectado ou de status desconhecido, sempre que ele adoece e, no caso do FeLV, antes de vacinar. Um único teste, em um único momento, nem sempre define o status do gato, e pode ser preciso repetir com outro método (Little et al., 2020).

O que cada exame de FIV e FeLV responde

  • Teste rápido (613): mostra antígeno do FeLV e anticorpos contra o FIV, no mesmo teste, em sangue com EDTA ou soro, com resultado em 1 dia útil. É um exame de triagem: o positivo pede confirmação, e o FIV positivo em filhote com menos de 6 meses pode ser anticorpo da mãe.

  • PCR de RNA (814 para FeLV e 815 para FIV): detecta o RNA do vírus no sangue com EDTA. No FeLV, o RNA positivo indica vírus circulando, como na infecção progressiva, e em geral é negativo na infecção regressiva.

  • PCR de DNA pró-viral (839 para FeLV e 838 para FIV): detecta o vírus integrado ao DNA das células. No FeLV, é o exame que identifica a infecção regressiva, em que o antígeno é negativo e o provírus continua no gato.

  • Perfis de PCR (066, 076 e 155): o 066 reúne a PCR de FeLV e de FIV, o 076 junta DNA pró-viral e RNA, e o 155 faz o DNA pró-viral quantitativo.

Como ler os resultados de FIV e FeLV

  • FeLV com antígeno positivo em gato saudável ou de baixo risco: confirme logo com PCR de DNA pró-viral ou com outro teste de antígeno, e repita o teste depois de algumas semanas para separar a infecção progressiva da regressiva. Onde o FeLV é raro, o falso positivo é mais provável, e até a confirmação o gato deve ser tratado como possível fonte de infecção.

  • FeLV com antígeno negativo e provírus positivo: é a infecção regressiva. O gato controlou a viremia, mas o provírus continua nas células e pode reativar, sobretudo com imunossupressão. Esse gato pode transmitir o vírus pela transfusão de sangue, e por isso o doador precisa ter também a PCR de provírus negativa (Wardrop et al., 2016).

  • FIV com anticorpo positivo em adulto: confirme com outro teste, como PCR, Western blot ou teste rápido de outro fabricante, antes de rotular o gato, principalmente se ele for de baixo risco.

  • FIV com anticorpo positivo em filhote com menos de 6 meses: repita o teste depois dessa idade, porque os anticorpos da mãe podem durar até lá. Pelo ABCD, o filhote positivo por volta das 16 semanas deve ser testado de novo dois meses depois, e só é considerado infectado se continuar positivo aos 6 meses.

  • Teste negativo depois de exposição recente: repita em 30 dias (FeLV) ou em 60 dias (FIV), porque o antígeno e o anticorpo podem demorar a aparecer.

  • PCR de FIV negativa: não exclui a infecção. O desempenho da PCR de FIV varia muito entre os ensaios, e a diversidade genética do vírus faz alguns gatos infectados escaparem do exame.

PIF: por que é diferente

A PIF é a forma grave da infecção pelo coronavírus felino. O coronavírus entérico é comum onde gatos vivem juntos, e a maioria dos gatos infectados não desenvolve a doença (em geral menos de 10%), por isso nenhum exame isolado separa o gato com PIF do gato apenas exposto.

O ABCD (2023) considera a coleta da efusão, quando existe, o passo diagnóstico mais útil, e afirma que não há exame não invasivo que confirme a PIF no gato sem efusão. O padrão-ouro é a histopatologia compatível com marcação do coronavírus nos tecidos; os demais achados mudam a probabilidade. A PIF atinge mais gatos de raça e gatos com menos de 2 anos, e o risco numa casa ou num gatil aumenta com o número de gatos; linfopenia, neutrofilia, anemia e globulinas altas reforçam a suspeita.

Alguns valores de corte orientam a leitura. A relação albumina/globulina no soro abaixo de 0,4 deixa a PIF muito provável, e acima de 0,8 muito improvável. A efusão da PIF costuma ter proteína acima de 3,5 g/dL e menos de 5.000 células por microlitro, e a relação albumina/globulina na efusão abaixo de 0,4 tem valor preditivo positivo alto, enquanto acima de 0,8 tem valor preditivo negativo alto. A prova de Rivalta, feita na clínica, teve sensibilidade de 91,3% e especificidade de 65,5% em 497 gatos com efusão e diagnóstico final (Fischer et al., 2012): o negativo ajuda a afastar a PIF, e o positivo não a confirma.

PIF: o que cada exame mostra

  • Hemograma (101): pode mostrar linfopenia, neutrofilia e anemia, que são comuns na PIF e não são específicas.

  • Proteínas totais e frações (237) e relação albumina/globulina (239): mostram globulinas altas e a relação no soro. Mudam a probabilidade, mas não confirmam: onde a PIF é rara, a relação alta ajuda a afastar a doença, e a relação baixa não basta para confirmá-la.

  • Análise do líquido cavitário (512): estuda a efusão, que é o primeiro material a examinar no gato com derrame no abdome ou no tórax.

  • Teste rápido de PIF (625): procura anticorpos contra o coronavírus felino em soro, sangue com EDTA ou efusão. O positivo mostra contato com o vírus, e esse contato é comum em casas e gatis com vários gatos, então não separa PIF de infecção entérica. O negativo não exclui: cerca de 10% dos gatos com PIF não têm anticorpos no soro, e o título pode cair na doença avançada. Na efusão, a pesquisa de anticorpos não é mais útil do que no soro (Felten e Hartmann, 2019).

  • PCR de coronavírus felino (833): mostra o RNA do vírus em efusão, aspirado de linfonodo ou líquor, sem separar a mutação associada à PIF. Nos estudos revisados pelo ABCD, a PCR foi positiva em 72% a 100% das efusões de gatos com PIF confirmada ou suspeita, então o negativo não exclui. O positivo em efusão com citologia e bioquímica compatíveis deixa a PIF muito provável, principalmente com muito RNA, mas alguns gatos sem PIF também deram positivo. No sangue, os resultados variam muito: de 0% a 15% de positivos no soro ou plasma de gatos com PIF e de 11% a 83% no sangue total em dois estudos. A SPES LAB faz esse exame em efusão, punção de linfonodo e líquor.

Qual exame pedir em cada situação

  • Gato novo na casa, adoção ou doação: teste rápido (613). Se vier positivo, confirme com outro teste ou com PCR antes de rotular o gato.

  • Gato doente, com febre, perda de peso, anemia ou infecções que se repetem: teste rápido (613) e hemograma (101).

  • Filhote com menos de 6 meses e FIV positivo: repita o teste depois dos 6 meses.

  • Possível exposição recente: teste já e repita em 30 dias (FeLV) ou em 60 dias (FIV), porque o primeiro resultado pode ser negativo.

  • Gato doador de sangue: teste rápido (613) e PCR de DNA pró-viral do FeLV (839), porque o gato com infecção regressiva pode transmitir o vírus pela transfusão.

  • Gato com efusão e suspeita de PIF: análise do líquido cavitário (512), PCR de coronavírus felino (833) na efusão e proteínas totais e frações (237) no soro.

  • Gato sem efusão e com suspeita de PIF: hemograma (101), proteínas totais e frações (237), relação albumina/globulina (239) e, se houver linfonodo aumentado, citologia (501) e PCR (833) do aspirado.

Três cuidados na coleta

  1. O sangue com EDTA (tampa roxa) serve para o teste rápido e para todas as PCR de FIV e FeLV; o teste rápido também aceita soro.

  2. Informe na requisição a idade do gato e a data de qualquer exposição: a idade abaixo de 6 meses muda a leitura do FIV, e a exposição recente muda a dos dois vírus.

  3. Na análise do líquido cavitário (512), a SPES LAB pede o líquido livre em EDTA e um tubo de soro; para a PCR (833), a efusão ou a punção de linfonodo.

Exames da SPES LAB para FIV, FeLV e PIF

A SPES LAB, laboratório veterinário em São José do Rio Preto, faz todos os exames abaixo.

Código · exame · amostra · prazo

  • 613 · FIV e FeLV, teste rápido (SNAP-ELISA) · EDTA ou soro

  • 814 · PCR FeLV (RNA) · EDTA

  • 815 · PCR FIV (RNA) · EDTA

  • 839 · PCR FeLV, DNA pró-viral · EDTA

  • 838 · PCR FIV, DNA pró-viral · EDTA

  • 066 · Perfil FIV/FeLV: PCR de FeLV e FIV · EDTA

  • 076 · Perfil FIV/FeLV: DNA pró-viral e RNA · EDTA

  • 155 · Perfil FIV/FeLV: DNA pró-viral quantitativo · EDTA

  • 625 · PIF, teste rápido (anticorpos contra coronavírus felino) · Efusão, EDTA ou soro

  • 833 · PCR PIF (coronavírus felino) · Efusão ou punção de linfonodo e líquor

  • 512 · Análise de líquido cavitário · Líquido livre em EDTA e soro

  • 101 · Hemograma completo · EDTA

  • 237 · Proteínas totais e frações · Soro

  • 239 · Relação albumina/globulina · Soro

  • 501 · Citologia (1 local) · Aspirado citológico em lâmina

Os valores estão no portfólio de exames ou podem ser pedidos pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

O teste rápido basta para fechar o diagnóstico de FIV ou FeLV?

Para o negativo em gato sem exposição recente, em geral sim, menos no doador de sangue, que também precisa da PCR de provírus do FeLV. Para o positivo, não: confirme com outro teste ou com PCR, principalmente no gato saudável e no filhote.

Qual a diferença entre a PCR de RNA e a de DNA pró-viral?

A PCR de RNA mostra o vírus circulando no sangue. A de DNA pró-viral mostra o vírus integrado ao DNA das células, inclusive no gato que já controlou a viremia, o que é útil na infecção regressiva por FeLV.

O teste rápido de PIF positivo quer dizer que o gato tem PIF?

Não. O teste procura anticorpos contra o coronavírus felino, e o positivo mostra apenas contato com o vírus. O diagnóstico depende do conjunto de sinais, exames de sangue, análise da efusão e PCR.

Existe exame de sangue que confirma PIF?

Não. Hemograma, proteínas e relação albumina/globulina mudam a probabilidade. A análise da efusão junto com a PCR deixa o diagnóstico muito provável, e a confirmação definitiva é a histopatologia com marcação do coronavírus nos tecidos.

Quanto tempo demora o resultado?

Na SPES LAB, os testes rápidos saem em 1 dia útil, a PCR em 4 dias úteis (a quantitativa em 5) e a análise do líquido cavitário em 3.

Fale com a SPES LAB

Tem dúvida sobre qual exame pedir para o seu paciente? Fale com a equipe pelo WhatsApp (17) 99639-2840. Se a sua clínica ainda não envia amostras para a SPES LAB, faça o cadastro.

Revisão técnica: M.V. Gustavo Tufaile Cassia, CRMV-SP 36.464.

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