Doença do carrapato em cães: qual exame pedir?

Erliquiose, babesiose e anaplasmose: quando pedir hemograma, pesquisa de hemoparasitas, teste rápido, sorologia ou PCR, e como ler o resultado.

M.V. Gustavo Tufaile Cassia

Tubo de sangue para exame em laboratório veterinário
Tubo de sangue para exame em laboratório veterinário

Na suspeita de doença do carrapato, o exame que confirma infecção ativa é a PCR em sangue com EDTA, colhido antes da primeira dose de doxiciclina. Teste rápido e sorologia mostram anticorpos: um resultado isolado indica que o cão teve contato com o agente, mas não separa infecção atual de antiga. O hemograma e a pesquisa de hemoparasitas completam o quadro.

O que entra no nome doença do carrapato

O nome popular junta infecções transmitidas pelo carrapato-marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus). No Brasil, as principais são a erliquiose (Ehrlichia canis), a babesiose (Babesia vogeli) e a anaplasmose (Anaplasma platys), e o mesmo cão pode ter mais de uma ao mesmo tempo.

A erliquiose tem incubação de 1 a 3 semanas e fase aguda de 2 a 4 semanas. Depois dela, o cão pode passar meses ou anos sem sinais, e parte dos animais chega à fase crônica, com pancitopenia e medula hipoplásica. Na anaplasmose por A. platys, as plaquetas caem e voltam em ciclos de 1 a 2 semanas.

O que cada exame responde

  • Hemograma: mostra plaquetas baixas (o achado mais comum), anemia e alteração de leucócitos. Ajuda na suspeita e no acompanhamento, mas não identifica o agente.

  • Pesquisa de hemoparasitas no esfregaço: mostra mórula de Ehrlichia, Babesia na hemácia e A. platys na plaqueta. Rende mais na fase aguda, com sangue fresco; a mórula de Ehrlichia aparece em cerca de 4 a 6% dos casos, e resultado negativo não exclui.

  • Teste rápido (imunocromatografia, ou ELISA rápido como o 4Dx): mostra anticorpos, e o 4Dx também procura antígeno de Dirofilaria. Serve para triagem, com resultado em 1 dia útil, mas dá só positivo ou negativo, pode ser negativo no começo da infecção e não pesquisa babesiose.

  • Sorologia por ELISA (IgM e IgG): mostra anticorpos contra Ehrlichia ou Babesia. Ajuda quando os sinais já têm algumas semanas, na fase crônica e na comparação entre duas amostras; os anticorpos duram meses ou anos após o tratamento, e na Babesia há reação cruzada entre espécies.

  • PCR: mostra DNA do agente, ou seja, infecção ativa. Use na fase aguda, antes do antibiótico, e no controle de tratamento; negativo quer dizer DNA não detectado na amostra, e não cão livre do agente.

  • PCR quantitativa: mostra a quantidade de DNA do agente e serve para acompanhar a resposta ao tratamento, sempre comparando pelo mesmo método.

A IgM aparece antes da IgG, mas depois oscila. Sozinha, não fecha diagnóstico e deve ser lida junto com a IgG, o hemograma e, de preferência, a PCR.

Qual exame pedir em cada situação

  • Sinais agudos (febre, apatia, sangramento, plaquetas baixas), ainda sem antibiótico: peça hemograma, pesquisa de hemoparasitas e painel de PCR com Ehrlichia, Babesia e Anaplasma. No começo o cão pode ainda não ter anticorpos, e a PCR pega a infecção ativa.

  • Sinais há semanas ou suspeita de fase crônica (pancitopenia, perda de peso, globulinas altas): peça PCR, sorologia IgG, hemograma e proteínas totais e frações. A sorologia já costuma estar positiva, e PCR negativa no sangue não exclui.

  • Teste rápido positivo em cão sem sinais: peça hemograma e PCR. O anticorpo pode ser de infecção antiga; PCR positiva confirma infecção ativa, mas negativa não exclui infecção subclínica.

  • Doxiciclina já iniciada: peça sorologia, e PCR sabendo do risco de falso negativo. O antibiótico não impede a produção de anticorpos, mas reduz o agente no sangue.

  • Controle depois do tratamento: PCR algumas semanas após a última dose de doxiciclina; na babesiose, cerca de 2 meses após o fim do tratamento, de preferência em duas amostras com 15 dias ou mais de intervalo. A meta é PCR negativa, que mesmo assim não garante a eliminação do agente, e a sorologia pode seguir positiva por meses ou anos.

  • Cão doador de sangue: peça sorologia e PCR, porque Ehrlichia, Anaplasma e Babesia podem ser transmitidas por transfusão.

Três cuidados na coleta

  1. Colha o sangue da PCR antes da primeira dose de doxiciclina, em tubo com EDTA (tampa roxa).

  2. Faça o esfregaço com sangue fresco. Para Babesia, o sangue capilar da ponta da orelha costuma facilitar o encontro do parasita.

  3. Para comparar sorologias, repita a mesma técnica no mesmo laboratório, com 2 a 4 semanas entre as amostras (na Babesia, 4 a 8 semanas).

Exames da SPES LAB para doença do carrapato

A SPES LAB, laboratório veterinário em São José do Rio Preto, faz todos os exames abaixo. Os painéis de PCR usam um único tubo de EDTA.

Código · exame · amostra · prazo

  • 101 · Hemograma completo · EDTA

  • 110 · Pesquisa de hematozoários (Babesia no esfregaço) · EDTA

  • 111 · Pesquisa de inclusões (Ehrlichia/Lentz) · Esfregaço em lâmina fixada ao ar e/ou EDTA

  • 609 · Ehrlichia canis, teste rápido (imunocromatografia) · EDTA ou soro

  • 608 · 4Dx: Ehrlichia, Anaplasma, Dirofilaria e Borrelia · EDTA ou soro

  • 610 e 611 · Ehrlichia IgM e IgG (ELISA) · Soro

  • 602 e 603 · Babesia IgM e IgG (ELISA) · Soro

  • 056 · Perfil Ehrlichia e Babesia (IgM e IgG) · Soro

  • 813 · PCR Ehrlichia spp. · EDTA

  • 805 · PCR Babesia spp. (canino) · EDTA

  • 802 · PCR Anaplasma platys · EDTA

  • 067 · Painel PCR hemoparasitas 1: Ehrlichia e Babesia · EDTA

  • 069 · Painel PCR hemoparasitas 2: Ehrlichia, Babesia e A. platys · EDTA

  • 131 · Hemoparasitas canino completo: Anaplasma, Babesia, Ehrlichia, Leishmania, Mycoplasma haemocanis, Rangelia vitalii, Hepatozoon e Dirofilaria immitis · EDTA

  • 801 · PCR Ehrlichia spp. quantitativa · EDTA

  • 148 · Painel PCR quantitativo: Ehrlichia, Anaplasma e Babesia · EDTA ·

  • 237 · Proteínas totais e frações · Soro

Os valores estão no portfólio de exames ou podem ser pedidos pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

A doença do carrapato aparece no exame de sangue?

O hemograma costuma mostrar plaquetas baixas, anemia ou mudança nos leucócitos, o que levanta a suspeita. Quem confirma o agente é a PCR ou, dependendo da fase, a sorologia.

Qual é o nome do exame para doença do carrapato?

Não existe um exame único. Para infecção ativa, o mais indicado é um painel de PCR, como o 069, que procura Ehrlichia, Babesia e Anaplasma na mesma amostra (o 131 inclui ainda outros cinco agentes); teste rápido e sorologia procuram anticorpos.

Quanto tempo demora o resultado?

Na SPES LAB, hemograma, pesquisa de hemoparasitas e testes rápidos saem em 1 dia útil. A PCR sai em 4 dias úteis (a quantitativa em 5) e a sorologia por ELISA em 6 dias úteis.

O cão tratado pode pegar erliquiose de novo?

Pode. A erliquiose não deixa imunidade duradoura, então o cão pode se reinfectar se voltar a ter contato com carrapatos infectados. Como os anticorpos da primeira infecção podem seguir positivos por meses ou anos, o acompanhamento é feito por PCR; o negativo é a meta, mas não garante que o agente foi eliminado.

Fale com a SPES LAB

Tem dúvida sobre qual exame pedir para o seu paciente? Fale com a equipe pelo WhatsApp (17) 99639-2840. Se a sua clínica ainda não envia amostras para a SPES LAB, faça o cadastro.

Revisão técnica: M.V. Gustavo Tufaile Cassia, CRMV-SP 36.464.

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