Na suspeita de doença do carrapato, o exame que confirma infecção ativa é a PCR em sangue com EDTA, colhido antes da primeira dose de doxiciclina. Teste rápido e sorologia mostram anticorpos: um resultado isolado indica que o cão teve contato com o agente, mas não separa infecção atual de antiga. O hemograma e a pesquisa de hemoparasitas completam o quadro.
O que entra no nome doença do carrapato
O nome popular junta infecções transmitidas pelo carrapato-marrom do cão (Rhipicephalus sanguineus). No Brasil, as principais são a erliquiose (Ehrlichia canis), a babesiose (Babesia vogeli) e a anaplasmose (Anaplasma platys), e o mesmo cão pode ter mais de uma ao mesmo tempo.
A erliquiose tem incubação de 1 a 3 semanas e fase aguda de 2 a 4 semanas. Depois dela, o cão pode passar meses ou anos sem sinais, e parte dos animais chega à fase crônica, com pancitopenia e medula hipoplásica. Na anaplasmose por A. platys, as plaquetas caem e voltam em ciclos de 1 a 2 semanas.
O que cada exame responde
Hemograma: mostra plaquetas baixas (o achado mais comum), anemia e alteração de leucócitos. Ajuda na suspeita e no acompanhamento, mas não identifica o agente.
Pesquisa de hemoparasitas no esfregaço: mostra mórula de Ehrlichia, Babesia na hemácia e A. platys na plaqueta. Rende mais na fase aguda, com sangue fresco; a mórula de Ehrlichia aparece em cerca de 4 a 6% dos casos, e resultado negativo não exclui.
Teste rápido (imunocromatografia, ou ELISA rápido como o 4Dx): mostra anticorpos, e o 4Dx também procura antígeno de Dirofilaria. Serve para triagem, com resultado em 1 dia útil, mas dá só positivo ou negativo, pode ser negativo no começo da infecção e não pesquisa babesiose.
Sorologia por ELISA (IgM e IgG): mostra anticorpos contra Ehrlichia ou Babesia. Ajuda quando os sinais já têm algumas semanas, na fase crônica e na comparação entre duas amostras; os anticorpos duram meses ou anos após o tratamento, e na Babesia há reação cruzada entre espécies.
PCR: mostra DNA do agente, ou seja, infecção ativa. Use na fase aguda, antes do antibiótico, e no controle de tratamento; negativo quer dizer DNA não detectado na amostra, e não cão livre do agente.
PCR quantitativa: mostra a quantidade de DNA do agente e serve para acompanhar a resposta ao tratamento, sempre comparando pelo mesmo método.
A IgM aparece antes da IgG, mas depois oscila. Sozinha, não fecha diagnóstico e deve ser lida junto com a IgG, o hemograma e, de preferência, a PCR.
Qual exame pedir em cada situação
Sinais agudos (febre, apatia, sangramento, plaquetas baixas), ainda sem antibiótico: peça hemograma, pesquisa de hemoparasitas e painel de PCR com Ehrlichia, Babesia e Anaplasma. No começo o cão pode ainda não ter anticorpos, e a PCR pega a infecção ativa.
Sinais há semanas ou suspeita de fase crônica (pancitopenia, perda de peso, globulinas altas): peça PCR, sorologia IgG, hemograma e proteínas totais e frações. A sorologia já costuma estar positiva, e PCR negativa no sangue não exclui.
Teste rápido positivo em cão sem sinais: peça hemograma e PCR. O anticorpo pode ser de infecção antiga; PCR positiva confirma infecção ativa, mas negativa não exclui infecção subclínica.
Doxiciclina já iniciada: peça sorologia, e PCR sabendo do risco de falso negativo. O antibiótico não impede a produção de anticorpos, mas reduz o agente no sangue.
Controle depois do tratamento: PCR algumas semanas após a última dose de doxiciclina; na babesiose, cerca de 2 meses após o fim do tratamento, de preferência em duas amostras com 15 dias ou mais de intervalo. A meta é PCR negativa, que mesmo assim não garante a eliminação do agente, e a sorologia pode seguir positiva por meses ou anos.
Cão doador de sangue: peça sorologia e PCR, porque Ehrlichia, Anaplasma e Babesia podem ser transmitidas por transfusão.
Três cuidados na coleta
Colha o sangue da PCR antes da primeira dose de doxiciclina, em tubo com EDTA (tampa roxa).
Faça o esfregaço com sangue fresco. Para Babesia, o sangue capilar da ponta da orelha costuma facilitar o encontro do parasita.
Para comparar sorologias, repita a mesma técnica no mesmo laboratório, com 2 a 4 semanas entre as amostras (na Babesia, 4 a 8 semanas).
Exames da SPES LAB para doença do carrapato
A SPES LAB, laboratório veterinário em São José do Rio Preto, faz todos os exames abaixo. Os painéis de PCR usam um único tubo de EDTA.
Código · exame · amostra · prazo
101 · Hemograma completo · EDTA
110 · Pesquisa de hematozoários (Babesia no esfregaço) · EDTA
111 · Pesquisa de inclusões (Ehrlichia/Lentz) · Esfregaço em lâmina fixada ao ar e/ou EDTA
609 · Ehrlichia canis, teste rápido (imunocromatografia) · EDTA ou soro
608 · 4Dx: Ehrlichia, Anaplasma, Dirofilaria e Borrelia · EDTA ou soro
610 e 611 · Ehrlichia IgM e IgG (ELISA) · Soro
602 e 603 · Babesia IgM e IgG (ELISA) · Soro
056 · Perfil Ehrlichia e Babesia (IgM e IgG) · Soro
813 · PCR Ehrlichia spp. · EDTA
805 · PCR Babesia spp. (canino) · EDTA
802 · PCR Anaplasma platys · EDTA
067 · Painel PCR hemoparasitas 1: Ehrlichia e Babesia · EDTA
069 · Painel PCR hemoparasitas 2: Ehrlichia, Babesia e A. platys · EDTA
131 · Hemoparasitas canino completo: Anaplasma, Babesia, Ehrlichia, Leishmania, Mycoplasma haemocanis, Rangelia vitalii, Hepatozoon e Dirofilaria immitis · EDTA
801 · PCR Ehrlichia spp. quantitativa · EDTA
148 · Painel PCR quantitativo: Ehrlichia, Anaplasma e Babesia · EDTA ·
237 · Proteínas totais e frações · Soro
Os valores estão no portfólio de exames ou podem ser pedidos pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
A doença do carrapato aparece no exame de sangue?
O hemograma costuma mostrar plaquetas baixas, anemia ou mudança nos leucócitos, o que levanta a suspeita. Quem confirma o agente é a PCR ou, dependendo da fase, a sorologia.
Qual é o nome do exame para doença do carrapato?
Não existe um exame único. Para infecção ativa, o mais indicado é um painel de PCR, como o 069, que procura Ehrlichia, Babesia e Anaplasma na mesma amostra (o 131 inclui ainda outros cinco agentes); teste rápido e sorologia procuram anticorpos.
Quanto tempo demora o resultado?
Na SPES LAB, hemograma, pesquisa de hemoparasitas e testes rápidos saem em 1 dia útil. A PCR sai em 4 dias úteis (a quantitativa em 5) e a sorologia por ELISA em 6 dias úteis.
O cão tratado pode pegar erliquiose de novo?
Pode. A erliquiose não deixa imunidade duradoura, então o cão pode se reinfectar se voltar a ter contato com carrapatos infectados. Como os anticorpos da primeira infecção podem seguir positivos por meses ou anos, o acompanhamento é feito por PCR; o negativo é a meta, mas não garante que o agente foi eliminado.
Fale com a SPES LAB
Tem dúvida sobre qual exame pedir para o seu paciente? Fale com a equipe pelo WhatsApp (17) 99639-2840. Se a sua clínica ainda não envia amostras para a SPES LAB, faça o cadastro.
Revisão técnica: M.V. Gustavo Tufaile Cassia, CRMV-SP 36.464.
Referências
Sainz Á et al. Guideline for veterinary practitioners on canine ehrlichiosis and anaplasmosis in Europe. Parasites & Vectors, 2015.
Solano-Gallego L et al. A review of canine babesiosis: the European perspective. Parasites & Vectors, 2016.
Harrus S, Waner T. Diagnosis of canine monocytotropic ehrlichiosis (Ehrlichia canis): an overview. The Veterinary Journal, 2011.
Weisiger RM, Ristic M, Huxsoll DL. Kinetics of antibody response to Ehrlichia canis assayed by the indirect fluorescent antibody method. American Journal of Veterinary Research, 1975.
Melo ALT et al. A survey of tick-borne pathogens in dogs and their ticks in the Pantanal biome, Brazil. Medical and Veterinary Entomology, 2016.
Barbosa COS et al. Babesiosis caused by Babesia vogeli in dogs from Uberlândia, Minas Gerais, Brazil. Parasitology Research, 2020.
