Na cinomose e na parvovirose, o teste rápido positivo em cão com sinais compatíveis sustenta o diagnóstico, mas o negativo não exclui nenhuma das duas doenças. Com suspeita forte e teste rápido negativo, peça PCR: na cinomose, com a amostra escolhida pela fase da doença; na parvovirose, em swab de ampola retal ou sangue com EDTA.
Por que o teste rápido negativo não basta
O teste rápido procura antígeno do vírus e só dá positivo quando há vírus suficiente na amostra no dia da colheita. Em dois estudos que o compararam com a PCR, ele deixou de detectar boa parte dos casos. Em 50 cães com sinais sugestivos de cinomose, um teste rápido feito em soro deu positivo em 14 dos 38 cães com RT-PCR positiva no sangue, ou seja, 37% (Koul et al., 2025). Em 78 amostras de fezes de cães com diarreia, 72 delas positivas na PCR, um teste rápido de clínica detectou 22% das positivas (16 de 72), e 76% (13 de 17) quando as fezes foram testadas logo após a colheita (Kantere et al., 2015). O negativo diz apenas que o antígeno não foi achado naquela amostra, e todo resultado precisa ser lido junto com os sinais do cão.
Cinomose: quando suspeitar
Pense em cinomose no cão jovem ou sem vacinação completa com secreção ocular e nasal, febre e sinais respiratórios e digestivos, seguidos de mioclonias, convulsões ou outros sinais neurológicos (Rendon-Marin et al., 2019). Os sinais neurológicos também podem aparecer sem fase sistêmica antes, ou algumas semanas depois dela (Sarchahi et al., 2022). Sinais e hemograma sozinhos não fecham o diagnóstico: o vírus ou os anticorpos precisam ser detectados de forma compatível com o quadro, e a escolha da amostra pesa muito no resultado (Sarchahi et al., 2022).
Cinomose: o que cada exame responde
Teste rápido de antígeno (605): mostra o antígeno do vírus em swab ocular ou nasal. Serve como triagem do cão com sinais, com resultado em 1 dia útil. Positivo com sinais compatíveis sustenta o diagnóstico, e negativo não exclui, porque a quantidade de vírus na amostra muda ao longo da doença. Na dúvida, a PCR confirma.
PCR (807): mostra o RNA do vírus (RT-PCR) e detecta quantidades menores dele do que o teste rápido. Na SPES LAB, o mesmo código aceita sangue com EDTA, swab de conjuntiva, urina ou líquor.
Titulação vacinal (631): mostra anticorpos IgG contra cinomose, parvovírus e hepatite infecciosa. Serve para saber se o cão tem proteção depois da vacina, e não para diagnosticar a doença atual, porque o anticorpo pode vir da vacina, da mãe ou de uma infecção anterior (Mylonakis et al., 2016; Sarchahi et al., 2022).
Hemograma (101): pode mostrar linfopenia e ajuda a avaliar o paciente, mas não identifica o agente.
Cinomose: qual amostra usar na PCR
A amostra certa depende da fase. No começo da infecção, o swab de conjuntiva deu mais resultados positivos, mais cedo e por mais tempo que as outras amostras em sete cães infectados experimentalmente (Kim et al., 2006). Quando já há sinais neurológicos, o vírus pode deixar de aparecer no sangue e na conjuntiva e continuar no líquor: em 20 cães com sinais neurológicos, a RT-PCR foi positiva em 55% das amostras de sangue total e em 80% das de líquor. Para os autores, no cão com sinais neurológicos sem fase sistêmica ou com sinais sistêmicos antigos, o sangue e o swab não são boas amostras, e o líquor é (Sarchahi et al., 2022). Sangue com EDTA e urina também são aceitos pela SPES LAB.
Parvovirose: quando suspeitar
Pense em parvovirose no filhote, em geral com menos de 6 meses, com vômito, diarreia (de mucoide a hemorrágica), apatia, febre e desidratação; cães adultos com imunidade insuficiente também podem adoecer (Mylonakis et al., 2016). A queda de leucócitos, neutrófilos e linfócitos aumenta a suspeita, mas não identifica o vírus (Mazzaferro, 2020).
Parvovirose: o que cada exame responde
Teste rápido de antígeno nas fezes (624): mostra o antígeno do parvovírus canino. É o primeiro exame do filhote com sinais, com resultado em 1 dia útil. Positivo com sinais compatíveis sustenta o diagnóstico, e negativo não exclui.
PCR (831): mostra o DNA do parvovírus. É o exame do filhote com suspeita forte e teste rápido negativo: em 80 cães com parvovirose confirmada pela PCR, 41 tiveram o teste de antígeno nas fezes negativo (Proksch et al., 2015). Na SPES LAB, aceita swab de ampola retal e sangue com EDTA.
Hemograma (101): mostra leucopenia, neutropenia e linfopenia, que reforçam a suspeita e ajudam a acompanhar o paciente.
Perfil entérico canino 1 (071): faz PCR de parvovírus, coronavírus e Giardia no mesmo pedido, para o filhote com diarreia de causa incerta.
Quando o teste rápido de parvovirose erra
O falso negativo é comum. No estudo alemão, os 41 cães com teste de antígeno negativo, em comparação com os de teste positivo, chegaram mais cedo à clínica, defecavam menos, tinham menos vírus nas fezes e mais anticorpos no soro, e os autores apontam a pouca quantidade de vírus e os anticorpos ligados ao antígeno nas fezes como causas prováveis (Proksch et al., 2015). Fezes muito diluídas e o armazenamento da amostra também aparecem na literatura: no estudo grego, o teste detectou 76% dos casos nas fezes testadas logo após a colheita e 22% no conjunto das amostras (Kantere et al., 2015).
A vacina também muda a leitura. No estudo grego, o teste rápido não detectou nenhum dos 12 cães com PCR positiva que tinham sido vacinados no mês anterior à diarreia. Quanto ao falso positivo causado pela vacina de vírus vivo, em 26 filhotes vacinados e acompanhados por 28 dias o teste rápido não foi afetado: o vírus vacinal nas fezes foi detectado só pela PCR, por 12 a 19 dias em média (Decaro et al., 2014). Em 100 cães adultos saudáveis, 23% tiveram DNA de parvovírus nas fezes depois da dose, por até 28 dias e em quantidade muito baixa (Freisl et al., 2017). Anote a data da última vacina e leia a PCR das primeiras semanas depois da dose junto com os sinais.
Qual exame pedir em cada situação
Filhote com secreção ocular e nasal, febre e sinais respiratórios, sem vacinação completa: teste rápido de cinomose (605); se vier negativo e a suspeita for forte, PCR (807) com swab de conjuntiva e sangue com EDTA.
Cão com mioclonias, convulsões ou outros sinais neurológicos: PCR (807) em líquor e em sangue com EDTA, porque o sangue e o swab podem ser negativos nessa fase.
Filhote com vômito e diarreia: teste rápido de parvovirose (624) em fezes frescas e hemograma (101).
Suspeita forte de parvovirose com teste rápido negativo: PCR (831) em swab de ampola retal.
Filhote com diarreia vacinado no último mês: teste rápido (624) e PCR (831), porque o teste rápido pode ser negativo mesmo com a doença, e a PCR precisa ser lida junto com os sinais.
Filhote com sinais respiratórios e digestivos ao mesmo tempo: teste rápido combinado de cinomose e parvovirose (606).
Filhote com diarreia de causa incerta: perfil entérico canino 1 (071).
Dúvida sobre a proteção depois da vacina: titulação vacinal (631).
Quatro cuidados na coleta
Para o teste rápido de parvovirose, colha fezes frescas e envie logo: no estudo grego, o teste detectou muito mais casos nas fezes testadas logo após a colheita (76%) do que no conjunto das amostras (22%).
Para a PCR de cinomose, envie sangue com EDTA (tampa roxa) e, quando possível, swab de conjuntiva ou urina em frasco estéril. Com sinais neurológicos, inclua o líquor.
Para a PCR de parvovírus, use swab de ampola retal ou sangue com EDTA.
Informe na requisição a idade, a data da última vacina e os dias de doença: os três mudam a leitura do resultado.
Exames da SPES LAB para cinomose e parvovirose
A SPES LAB, laboratório veterinário em São José do Rio Preto, faz todos os exames abaixo.
Código · exame · amostra · prazo
605 · Cinomose, teste rápido (antígeno viral) · Swab ocular ou nasal
624 · Parvovirose, teste rápido (antígeno viral) · Fezes
606 · Cinomose e parvovirose, teste rápido combinado (imunocromatografia) · Fezes frescas + swab conjuntival, nasal ou urina em frasco estéril
807 · PCR cinomose · EDTA, swab de conjuntiva, urina ou líquor
831 · PCR parvovírus canino · EDTA e/ou swab de ampola retal
811 · PCR coronavírus canino · Swab de ampola retal ou swab de fezes frescas
816 · PCR Giardia lamblia · Swab de fezes frescas
071 · Perfil entérico canino 1: parvovírus, coronavírus e Giardia (PCR) · Fezes frescas em frasco estéril
073 · Perfil neurológico canino 1: toxoplasmose, coronavírus e cinomose (PCR) · EDTA, urina ou líquor em frasco estéril
631 · Titulação vacinal canina: cinomose, parvovirose e hepatite infecciosa (IgG) · Soro
101 · Hemograma completo · EDTA
Os valores estão no portfólio de exames ou podem ser pedidos pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
O teste rápido de cinomose negativo exclui a doença?
Não. O teste rápido procura antígeno, e a quantidade de vírus na amostra muda ao longo da doença. Com sinais compatíveis, peça PCR e escolha a amostra pela fase. Nos cães com sinais neurológicos, o líquor pode ser positivo quando o swab e o sangue não são.
Qual tubo usar na PCR de cinomose?
Sangue com EDTA (tampa roxa). O mesmo exame aceita swab de conjuntiva, urina ou líquor, em frasco estéril.
Dá para investigar cinomose pela urina?
A SPES LAB aceita urina na PCR de cinomose (807). A urina é uma das amostras possíveis, e a escolha entre ela, o swab, o sangue e o líquor depende da fase da doença e dos sinais do cão.
O teste rápido de parvovirose negativo exclui a doença em filhote com diarreia com sangue?
Não. Em um estudo com 80 cães com parvovirose confirmada pela PCR, o teste de antígeno nas fezes foi negativo em 41. Com sinais compatíveis, repita o teste em fezes frescas ou peça a PCR (831), e use o hemograma para avaliar a leucopenia.
Quanto tempo demora o resultado?
Na SPES LAB, os testes rápidos saem em 1 dia útil, a PCR em 4 dias úteis e a titulação vacinal em 6 dias úteis.
Fale com a SPES LAB
Tem dúvida sobre qual exame pedir para o seu paciente? Fale com a equipe pelo WhatsApp (17) 99639-2840. Se a sua clínica ainda não envia amostras para a SPES LAB, faça o cadastro.
Revisão técnica: M.V. Gustavo Tufaile Cassia, CRMV-SP 36.464.
Referências
Koul J et al. Immuno-chromatography based rapid detection of canine distemper in dogs and its comparison with RT-PCR. Veterinary Research Forum, 2025.
Sarchahi AA et al. Detection of canine distemper virus in cerebrospinal fluid, whole blood and mucosal specimens of dogs with distemper using RT-PCR and immunochromatographic assays. Veterinary Medicine and Science, 2022.
Kim D et al. Comparison of tissue and fluid samples for the early detection of canine distemper virus in experimentally infected dogs. Journal of Veterinary Medical Science, 2006.
Rendon-Marin S et al. Tropism and molecular pathogenesis of canine distemper virus. Virology Journal, 2019.
Kantere MC et al. Diagnostic performance of a rapid in-clinic test for the detection of canine parvovirus under different storage conditions and vaccination status. Journal of Virological Methods, 2015.
Proksch AL et al. Influence of clinical and laboratory variables on faecal antigen ELISA results in dogs with canine parvovirus infection. The Veterinary Journal, 2015.
Decaro N et al. Long-term viremia and fecal shedding in pups after modified-live canine parvovirus vaccination. Vaccine, 2014.
Freisl M et al. Faecal shedding of canine parvovirus after modified-live vaccination in healthy adult dogs. The Veterinary Journal, 2017.
Mylonakis ME et al. Canine parvoviral enteritis: an update on the clinical diagnosis, treatment, and prevention. Veterinary Medicine: Research and Reports, 2016.
Mazzaferro EM. Update on canine parvoviral enteritis. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 2020.
